No ano de 1968 a cidade de Belo Horizonte completava seus setenta e um anos de vida. Pouco para uma metrópole que crescia muito e rapidamente. Sua posição geográfica se consolidava como estratégica para o transporte da produção das indústrias na região sudeste. Belo Horizonte está localizada no centro da região e faz a ligação rodoviária com outros centros do país. Os produtos industrializados, que utilizavam as estradas como o meio de escoamento da produção, tinham que passar pela cidade. Com isso, o desenvolvimento da cidade estava muito acelerado e sua população também aumentava bastante.
A cidade acompanhava estas transformações e a construção estava estimulada por um grande número de novos habitantes que precisava de moradia e de estabelecimentos. Comércio e Serviços precisavam atender à uma nova horda de moradores. Lojas de departamentos, lanchonetes e restaurantes, oficinas de automóveis, lavanderias, bancos, casas de shows e teatros, fábricas: Belo Horizonte respirava a modernidade. A Avenida do Contorno, batizada com este nome por circular a cidade, não comportava mais ser os limites da metrópole. A cidade se expandia por todas as direções e novos bairros surgiam. E suas montanhas foram rasgadas e habitadas: muitos bairros têm ruas íngrimes – Serra, Cruzeiro, Mangabeiras, Gutierrez, Grajaú, São Lucas, Sion, Santo Antônio. Uma característica marcante da geografia da cidade.

A sociedade belo-horizontina recebia com agrado as novas construções e com elas pontos de encontro para lazer, comércio e cultura eram criados. Cinemas como o Palladium, Brasil, Jacques (onde está hoje o shopping Cidade), Metrópole: todos no centro da cidade. O circuito de arte que incluia o cine Odeon, Roxy e o Pathé – este último o mais conceituado por passar os filmes mais recomendados pela crítica. O Ted´s e o Xodó, primeiros fast-food da cidade, eram os locais de encontro para uma classe média com fome e sede de consumo. Os teatros Marilia, Imprensa e o Francisco Nunes, este no parque municipal, trouxeram as opções para as peças de teatro e shows musicais. A cidade se revelava como uma fonte de boa cultura para o resto do país. Na trilha do Tropicalismo baiano, o Clube da Esquina começava a ser formado. Belo Horizonte também forneceria bons escritores e autores – alguns se mudariam da cidade com o sucesso adquirido nacionalmente – o destino era o eixo Rio – São Paulo. O Edifício Maleta – um conjunto de apartamentos residenciais com salas comerciais e sua ainda viva Cantina do Lucas – funcionava como um ponto de encontro para os novos intelectuais que a cidade produzia.
O comércio já possuía grandes lojas de departamentos – a Embrava, Empresa brasileira de departamentos, se destacava no centro da cidade com um imponente prédio (hoje a empresa VIVO). Mais tarde surgiria a Sear’s – no local onde funcionaria anos depois o hoje extinto shopping Bahia. O bairro Mangabeiras também começou a surgir e logo ficou valorizado pela classe alta, que nele optou por construir ali as melhores casas da cidade. A pizzaria Degrau, no alto da Avenida Afonso Pena, foi um marco de espaço onde passou uma juventude ávida por novidades – as garotas da cidade ficavam em sua porta enquanto os pretendentes desfilavam em seus fuscas e corcels – os carros da época.
A incidência da violência e de assaltos era bem menor do que hoje.
Era comum e normal as pessoas deixar seus carros pernoitar na rua. Não se tinha tanto medo de sair a pé pelas ruas da cidade, mesmo à noite, e as pessoas circulavam com menos temor de ladrões e outros delinqüentes.
Belo Horizonte era uma cidade que a industrialização e o crescimento econômico moldavam. Mas que mantinha as tradições de um povo hospitaleiro e acolhedor. E com muito boa comida.
Por Marcelo Rocha, Natália de Sá, Flávia Marques e Rúbia Lisboa.












