A Bienal Internacional do Graffiti – BIG, realizada entre os dias 30 de agosto e 7 de setembro, mostrou as diversas formas de arte existentes na sociedade contemporânea. A BIG desmistificou e mostrou que a experiência de vida e cultura de uma parte da população é capaz de criar obras de arte de qualidade.
Misturas de cores, idéias e criatividade transformam telas, muros, monitores, máquinas de escrever, carros, dentre outros objetos em uma maneira de expressar toda a arte existente dentro de cada grafiteiro.
O artista do graffiti Rodrigo da Silva, 31 anos, mais conhecido entre os amigos como Bola, diz que a experiência como pichador na adolescência serviu como motivação para transformar o vandalismo em arte. “Ser pichador dá uma emoção no início de poder se comunicar com outros amigos e mostrar o ato de perigo que teve que realizar para pichar. Mas o risco de cair de um lugar alto, ser pego pela polícia e ver o pai e a mãe te tirar da cadeia faz com que isso não valha a pena”, afirma o artista.
Aos 12 anos de idade Bola desenhava e aprimorava a habilidade com o papel e o lápis. A pichação foi o próximo passo, porém por pouco tempo. Agora ele é pintor profissional e grafiteiro. Faz também grafitagem por encomenda nos finais de semana e nas horas vagas, além de trabalhar de 8h às 18h em uma empreiteira como pintor.
Arte x Falta de conhecimento
Durante 45 minutos acompanhamos Bola fazer uma arte em muro da Serraria Souza Pinto. Um segurança do evento abordou o artista e disse que ele não poderia continuar pichando naquele local. Rodrigo tentou em vão explicar que estava realizando um trabalho de arte e foi convidado a comparecer, com o segurança, na sala da organização do evento.
Após cinco minutos de conversa o artista foi liberado para continuar a arte. O segurança foi repreendido pela organização por não reconhecer como arte o trabalho do grafiteiro. “Está vendo o que acontece com gente. A sociedade ainda nos trata como marginais. Não sabem observar, reconhecer e admirar a arte produzida pelos grafiteiros“, disse Rodrigo.
Público comparece em peso
A Bienal Internacional de Graffiti 2008 superou as expectativas segundo os organizadores. O público ultrapassou o número de 1.750 alunos cadastrados, além dos muitos visitantes que lotaram a Serraria Souza Pinto, mas não foram contabilizados pela organização. Foram 28 shows, 4 exposições, 5 seminários e vários artistas circulando pela Bienal onde era fácil assistir a finalização de uma arte. Mas quem perdeu a BIG não precisa desanimar, pois em Belo Horizonte é fácil encontrar em muros, fachadas e telas o trabalho dos grafiteiros. Até a próxima Bienal Internacional do Graffiti 2009!








