Por João Guilherme Arruda e Natália Matheus
Em maio de 1968 muita coisa aconteceu e mudou o rumo da história de muitas pessoas em todo o mundo. Zuenir Ventura, conta em seu livro “1968 – O ano que não terminou” o que aconteceu no Brasil, mais necessariamente no Rio de Janeiro.
A liberdade de expressão e de ir e vir das pessoas foram cerceadas pelos militares. A política pública usada na época para conter qualquer tipo de informação levada ao povo era a força. Muitas pessoas fora mortas, torutras e ainda estão desaparecidas.
Os jovens queriam ter a liberdade sexual, de pensamento e de expressão. O modelo conservador dos governantes consideram aquele movimento um ultraje ao modelo familiar tradicional e quis impedir de qualquer forma o seu fortalecimento.
Belo Horizonte um forte canteiro de jovens desafiadores
A capital mineira por ser muito jovem tinha em maio de 68 uma grande quantidade de jovens influentes na música, jornalismo e política. Dois desses jovens Ricardo Parreiras e Paulo Bastos trabalhavam na Rádio Inconfidência que se localizava na Feira Permanente de Amostra, onde hoje fica a Rodoviária.
“Era muito difícil trabalhar naquela época, tínhamos medo do companheiro ao lado ser um X9, um delator e nos entregar para os militares”, conta o jornalista Paulo Bastos.
Por sua vez Ricardo Parreiras diz que era complicado escolher as palavras corretas para colocar em uma matéria e mostrar ao censor. Na maioria das vezes o jornal era gravado para depois lecarmos as laudas para os censores avaliarem. E se caso estivem em desacordo, éramos obrigados a gravar tudo de novo.
Segundo os dois profissionais que ainda trabalham na Rádio Inconfidência, a influência dessa visão política na censura dos jornais ainda prevalece hoje porém modificada.
Vivemos em uma realidade onde a publicidade é quem manda dentro de uma redação de jornal. Se um jornalista, por mais que a matéria seja de extrema relevância e interesse público, porém ela vai manchar a imagem de um grande anunciante do veículo, corre o risco da matéria cair.
Isso faz com que os profissionais de hoje utilizem muito da auto-censura. “É comum você ver um jornalista refletir muito para escrever uma matéria que manche a imagem de um grande anunciante”, diz Ricardo Parreiras. Essa nova forma de censura é que faz com que os jornais repitam sempre as mesmas histórias.

















